sábado, 8 de maio de 2010

Grupo Harém de Teatro comemora 25 anos com exibição de peça

. sábado, 8 de maio de 2010
0 impressões


Começou nesta sexta-feira, 07 de maio, no Teatro da Estação, a apresentação da peça A Casa de Bernarda Alba, que estreia as comemorações dos 25 anos do Grupo Harém de Teatro de Teresina. A peça, dirigida por Arimatan Martins, começará às 20 horas de sexta a domingo, até o dia 30/05.

“A comemoração durará o ano inteiro”, diz Francisco Pellé, ator fundador do grupo Harém. Entre as várias atividades que acontecerão durante este ano, está um espetáculo em parceria do Teatro Extremo Portugal, que encenará o texto “Quando as máquinas param”, de Plínio Marques, na terceira edição do FestLuso (Festival de Teatro Lusófono).

Além disso, também há um livro que será lançado em dezembro, com 25 textos e fotos dos espetáculos que marcaram o grupo de teatro durante esses 25 anos.Todo esse tempo de atuação rendeu ao grupo Harém várias premiações em festivais de teatro, como o como o de Guaramiranga-CE. O reconhecimento também é representado pelos prêmios nacionais e internacionais ganhos, como Mérito Lusófono, conquistado em Portugal.

A Casa de Bernarda Alba é a terceira peça da trilogia de dramas folclóricos apresentada pelo grupo, antecedida por Yerma e Bodas de Sangue. Ela relata a história de uma mulher que declara oito anos de luto pela morte de seu segundo marido, mantendo assim, suas cinco filhas e duas empregadas reclusas em sua casa. Durante esse período, elas compartilham dores, sofrimentos, felicidades, ódio e amor. Duas das cinco filhas são apaixonadas pelo mesmo homem e disputam a reciprocidade deste sentimento.

O espetáculo é baseado no texto do espanhol Frederico Garcia Loca, com financiamento do SIEC- Sistema de Incentivo a Cultura do Governo do Estado do Piauí. Para a leitura de Arimatan Martins, que dirige o grupo Harém desde sua fundação, a peça reúne toda a dramaticidade que existe nos textos do autor ibérico.


Veja o elenco:
Lari Sales (Bernarda)
Airton Martins (Maria Josefa – mãe de Bernarda)
Maneco Nascimento (Angústias – filha)
Tércia Maria (Madalena – filha)
Bid Lima (Amélia – filha)
Fernando Freitas (Martírio – filha)
Janaína Alves (Adela – filha caçula)
Francisco de Castro (La Poncia – criada)
Luciano Brandão (criada)


Reportagem: Natali Andrade
Fotos: Grupo Harém
Edição: Tamires Coelho
tamirescoelho@hotmail.com

Read More »»

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Médico piauiense transfere experiências do consultório para páginas de uma ficção

. quarta-feira, 5 de maio de 2010
0 impressões

O neurologista Marcus Sabry condensa angústias e dúvidas em um conto que instiga o ser humano a conhecer sua própria essência

Transformar cotidiano em ficção. O livro Castelos de Areia traz o encontro entre um velho prestes a morrer e um menino – duas trajetórias opostas que colidem em um momento crítico – e, muito mais que isso, convida o leitor a refletir sobre angústias comuns a todos os seres humanos.

A trama conta uma história principal dividida em três partes e propõe uma discussão de conceitos e interrogações, uma reflexão sobre dúvidas e angústias. “Mesmo se os leitores não atentarem para a reflexão dos conceitos, há uma boa história para ser lida, pelo prazer da leitura”, afirma Marcus Sabry, neurologista e autor do conto.

Para conciliar e dedicar-se a duas rotinas difíceis – de médico e escritor –, ele dorme pouco, cerca de quatro horas por noite. Uma ironia para quem trata pacientes com distúrbios do sono. “O desafio, na realidade, é o próprio livro. É você conseguir em 120 páginas condensar um assunto denso e abstrair dali como pessoas bem diferentes conseguem receber aquela mensagem. Um livro é quase uma escultura”, afirma o autor de Castelos de Areia.


Escrever, para o médico, é algo tão importante na sua vida quanto a Medicina e não considera suas produções fruto de um simples hobby. Ele revela que a experiência nos consultórios foi fundamental para conceber a obra literária. Após mais de setenta mil pacientes atendidos, ele percebeu que as pessoas traziam angústias sob forma de dores de cabeça, insônia, tremores ou desmaios.

“Os pacientes não chegam dizendo ‘Eu não sei a quem procurar porque eu tenho uma angústia’. Eles explicam apenas os sintomas que estão sentindo. No fim, a causa não é orgânica, mas sim essa angústia que está consumindo aquela pessoa”, pontua o médico.

Marcus Sabry pretende surpreender e provocar reações no leitor. “Um livro, com um conteúdo que vai além do entretenimento, é capaz de modificar, mesmo que pouco, uma pessoa. Se essa pessoa começa a ler e termina a leitura diferente, esse livro será importante. Para caber em um número pequeno de páginas, tem que ser algo denso. Quanto mais denso, maior a importância de cada vírgula, de cada página”, acrescenta.

O autor já tem outras três obras prontas para publicação – dois livros voltados à Medicina e um de ensaios. A coletânea de ensaios aborda os mesmos conceitos do conto recentemente lançado, mas voltados para um público diferente que prefere uma abordagem mais direta.

O livro Castelos de Areia é uma produção independente e já está disponível nas livrarias de Teresina. O lançamento está sendo feito nas universidades e colégios da capital acompanhado de palestras do neurologista.


Baixo consumo da literatura local estimula produção independente

Assim como a obra Castelos de Areia, muitas outras produções piauienses são editadas e financiadas por seus próprios autores. O crescimento desta tendência é justificado pela ausência de uma cultura de consumo dos livros produzidos no estado.

As instituições de ensino no Piauí adotam livros de escritores locais ainda de maneia tímida – o que dificulta a divulgação e, consequentemente, as vendas dessas obras. Dificuldades como essa obrigam muitos autores a financiar suas próprias produções, diante de um mercado consumidor local insipiente.

Leonardo Dias, proprietário de uma editora em Teresina, explica que é difícil encontrar editoras dispostas a trabalhar com autores do Piauí. “Como as pessoas ainda não têm, no mercado local, o hábito de consumir a literatura local, quem edita, tem que selecionar bastante para não ter prejuízo. E são adotados critérios rigorosos. Quando se trata de poesia a situação é ainda pior”, afirma.


Edição e Reportagem: Tamires Coelho
tamirescoelho@hotmail.com

Read More »»

domingo, 2 de maio de 2010

Novas abordagens desafiam o jornalismo cultural no Piauí

. domingo, 2 de maio de 2010
0 impressões

Informar e explorar o cotidiano sob novas vertentes. Esse é um dos objetivos do jornalismo cultural, mas que parece ser algo ainda distante do que é produzido no Piauí. A falta de prioridade com a editoria de cultura somada a restrições com espaço e estrutura levam, muitas vezes, jornalistas piauienses a limitar seu foco nos movimentos artísticos ou substituir matérias por releases. O que é produzido a nível local não merece descarte, mas ainda deixa a desejar.


Fazer jornalismo cultural é um desafio nas redações teresinenses. Além de consideradas matérias “de menor relevância”, muitas notícias sobre cultura restringem-se a falar superficialmente de música, teatro e dança. Esses problemas são minimizados com a proximidade de eventos culturais importantes como o Fórum Um Minuto para a Dança e o Festival de Folguedos, por exemplo.


O jornalista piauiense Pedro Jansen, editor da Revista da Cultura, acredita que as principais diferenças dos cadernos de cultura produzidos no Piauí e em São Paulo estão ligadas ao compromisso e à estrutura, e que essas realidades ainda estão distantes. Jansen ressalta, no entanto, que há muito esforço e pessoas dedicadas ao jornalismo cultural em Teresina.


“Como um editor e um repórter vão fechar diariamente três páginas de texto, mais especiais de fim de semana sem utilizar releases? Existem muitos jornalistas interessados em escrever sobre cultura. O que nos falta mesmo é estrutura”, pontua o editor. Jansen aponta a falta de profissionais como um dos problemas chave e alerta que, no Piauí, jornalismo cultural e entretenimento se entrecruzam de uma forma mais mercadológica e menos analítica do que deveriam.


Os artistas locais conhecem bem alguns problemas do jornalismo cultural, porque não há textos e críticas que os ajudem a repensar sua arte. Segundo Elielson Pacheco, integrante do Núcleo de Criação do Dirceu, a postura de muitos jornalistas acaba afastando algumas de suas principais fontes. “Eles vêm nos procurar apenas para preencher lacunas. Essa falta de comprometimento leva a um preconceito da maioria dos artistas em relação aos jornalistas”, explica o bailarino.


Muitos estudantes já pensam em um novo viés para o jornalismo cultural piauiense. É o caso de Filipi Moura, aluno de Jornalismo na Universidade Federal do Piauí, que acredita na necessidade de inovar, ousar com outros formatos de texto e sair dos limites do entretenimento. “Os maiores problemas são a repetição de assuntos e o medo de abordar temas diferentes. Falta aprofundamento, matérias mais contextualizadas”, diz. Porém, o ideal seria que a imprensa não esperasse a próxima geração para aperfeiçoar o segmento cultural.


Edição e Reportagem: Tamires Coelho

tamirescoelho@hotmail.com

Read More »»

terça-feira, 30 de março de 2010

Portadores de necessidades especiais reclamam de inacessibilidade no Piauí

. terça-feira, 30 de março de 2010
0 impressões

Os portadores de necessidades especiais do Piauí ainda não contam com um programa de acessibilidade satisfatório. Na Universidade Federal do Piauí (UFPI), por exemplo, os universitários com necessidades visuais ainda precisam de muita persistência e esforço próprio para superar as dificuldades que o espaço físico universitário oferece. Mesmo com algumas medidas de apoio, a universidade ainda não oferece estruturas acessíveis a esse segmento estudantil.

Francisca Moura da Silva, 33 anos, possui uma doença congênita e não é totalmente “cega”, mas precisa de ajuda para locomover-se e estudar. Ela cursa Pedagogia na UFPI, é casada e mãe de três filhos. Seu marido também é deficiente visual.

Para Francisca Moura, a universidade ainda não oferece 100% de apoio aos portadores de necessidades especiais – assim como outros locais. Ela enfatiza que nem todos os professores entendem as dificuldades de entregar trabalhos em prazos muito curtos, levando em consideração as dificuldades provenientes da deficiência e da vida familiar. Além disso, há dificuldades materiais: “Os materiais que era pra gente utilizar aqui (na sala de estudos para os portadores), desde quando eu entrei (em agosto de 2009), até hoje, eu não utilizei nenhum material para realizar trabalhos relacionados às disciplinas. A gente é que se vira, paga impressão, paga tudo. A sala está praticamente desativada”, reclama a estudante – que diz sofrer, muitas vezes, com a má vontade das pessoas da biblioteca para imprimir trabalhos acadêmicos.

José Rubens da Silva, 29 anos, aluno do curso de Ciências Sociais desde 2007, que denuncia a retórica presente nos discursos de inclusão social e a construção de uma sociedade voltada para o visual, para o estético – excluindo, automaticamente, a pequena parcela de pessoas que não podem desfrutá-la. Ele lembra que acessibilidade não é só construção de rampas nos locais, mas também implementar recursos como o piso táctil, uma espécie de piso em alto relevo que orienta e direciona mais facilmente os deficientes visuais (já utilizada em agências bancárias).

“Aqui na federal, o que aconteceu foi que as adaptações que tornam possível a minha vida acadêmica foram feitas por mim. Eu que tenho que construir esse aparato. Eu utilizo o áudio como um de meus métodos de estudo. Quem vai atrás desses recursos sou eu. No laboratório, os computadores estão inutilizados e a sala está lá ao léu. O que a gente tem, efetivamente, hoje para ajudar os estudantes com deficiência visual, é o bolsista”, pontua o José Rubens que ainda utiliza fita k7, e pretende adquirir um gravador digital, em breve, para que seu acompanhante grave os textos para ele estudar posteriormente.

De acordo com Geraldo Batista, diretor da Biblioteca Comunitária Carlos Castello Branco, da UFPI, apesar de haver salas específicas voltadas a portadores de necessidades visuais, os equipamentos estão desativados por falta de técnicos que auxiliem os alunos.

“Existem duas salas para deficientes visuais que foram montadas por uma ex-aluna que era deficiente visual. Esse equipamentos da sala eram justamente do projeto que ela fez. Hoje, são quatro computadores com software interativo específico para deficientes visuais, só que o software está desatualizado porque ela (a ex-aluna), após o término do curso, tentou continuar o trabalho aqui na universidade, mas não encontrou apoio para liberação dela do Estado, ao qual ela está vinculada. Existe uma parceria entre Estado e universidade, na qual o Estado entra com um professor na área, pra ajudar os alunos, só que, após a saída dela, até os professores deixaram de vir”, explica Batista.

No convênio entre poder público estadual e universidade, a UFPI entraria com espaço e equipamentos, ao passo que o Estado arcaria com as despesas de pessoal. O convênio se desfez e, há alguns anos, os equipamentos da sala especial estão inativos. Ao todo, são dez deficientes visuais na universidade piauiense.

Os acompanhantes são colegas do mesmo curso dos portadores de necessidades especiais que têm afinidade com eles. O aluno acompanhante recebe, mensalmente, uma bolsa no valor de R$ 250 para auxiliar em âmbito acadêmico esses alunos em um período de 3h/dia. No processo de cadastro não é necessário inscrição, apenas a solicitação via coordenações de curso.



Reportagem e Edição: Tamires Coelho
tamirescoelho@hotmail.com

Read More »»

sábado, 6 de março de 2010

Cineasta piauiense lança longa metragem sobre a velhice

. sábado, 6 de março de 2010
0 impressões

O cineasta e escritor Francisco Monteiro Júnior, 26 anos, lançou sua mais nova obra na noite desta quinta-feira (04/03). O lançamento do filme "Dona Maria" aconteceu na sala Torquato Neto, no Clube dos Diários - que foi pequena para a quantidade de pessoas que foram prestigiar o artista.

O jovem cineasta Monteiro Júnior também é escritor de ficção


O filme de 70 minutos aborda a visão feminina sobre a velhice, de maneira reflexiva, e começou como parte de um projeto da banda Madame Baterflai, que se desfez em 2007. "Dona Maria" oscila entre documentário e ficção, abordando as dificuldades que os idosos sofrem diante de uma sociedade que, muitas vezes, ignora quem pertence à terceira idade. Para desenvolver o tema, o autor, que graduado em psicologia e cursa Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal do Piauí (UFPI), afirma que houve um processo de intensa pesquisa sobre o assunto para aproveitar o material gravado.

A equipe gravou depoimentos de mulheres com idade acima de 65 anos, contando parte de suas histórias de vida. "Eu senti que ali tinha uma coisa especial", comenta Monteiro Júnior sobre as imagens gravadas, que escreveu e dirigiu o longa-metragem. "Ninguém faz um filme sozinho", enfatiza com modéstia o cineasta após a exibição da película, agradecendo a todos que o apoiaram desde 2005, quando a ideia surgiu.

Logo após a exibição do filme, o cineasta agradeceu à sua equipe e aos parceiros que viabilizaram o projeto


Monteiro Júnior atualmente ministra um curso de Cinema na UFPI e diz que espera que essa estreia seja uma forma de incentivo a seus alunos. "Eu espero que estimule os alunos. A intenção do curso é essa: instigar os alunos a criarem. É fomentar a produção", afirma. O cineasta vai lançar seu filme em São Paulo dia 25 de março.


Edição e Reportagem: Tamires Coelho
tamirescoelho@hotmail.com

Read More »»

sábado, 24 de outubro de 2009

Piauiense vence prêmio Itaú Cultural na categoria Web-reportagem

. sábado, 24 de outubro de 2009
0 impressões

O Itaú Cultural divulgou nesta sexta-feira (23/10) os selecionados do concurso Rumos Jornalismo Cultural 2009-2010, e entre os doze universitários selecionados está a estudante do curso de Comunicação Social - Jornalismo Elinara Barros, da Universidade Federal do Piauí. Elinara ganhou na categoria Web-reportagem, através do blog Seu Agenor e conservação do folclore piauiense.

Ao todo, ganharam o prêmio em diversas categorias doze estudantes de graduação e oito professores de Comunicação Social, entre 285 inscrições de 125 faculdades de todo o Brasil. Entre as peculiaridades da edição 2009-2010 do Rumos Jornalismo Cultural está a faixa etária dos selecionados, que diminuiu em relação à edição anterior.

"Ganhar esse prêmio está representando muito na minha vida, principalmente, pelo fato de ser um concurso nacional e pela importância da instituição, que é conceituada em todo o país. É poder perceber que esses anos na universidade não foram em vão e que apesar de todas as dificuldades a gente ainda consegue lutar para conquistar nossos objetivos", afirmou Elinara Barros. "Ver meu nome naquela lista foi muito bom! Incrível!", admitiu a estudante de Comunicação Social.

A aluna agradece à disciplina Webjornalismo, que cursou na UFPI, e a um dos professores da instituição. "Sem dúvida, a experiência que tive durante a disciplina de webjornalismo foi importantíssima para a realização do trabalho que enviei ao concurso. Os ensinamentos do professor Orlando Berti foram cruciais. As dicas, broncas e elogios, que estavam sempre presentes nas aulas dele, foram de suma importância. Alimentar durante um semestre o http://jornalight.blogspot.com/ foi muito bom, muito proveitoso. Foi a partir do trabalho que realizei no blog da disciplina de webjornalismo que pude ter uma noção maior de como realizar o trabalho inscrito no concurso", disse Elinara.

Para a estudante de Jornalismo, participar desses concursos é importante para obter mais experiência, perceber o que está sendo produzido no Piauí e em outros estados. Ela explica que colocar em prática o que é visto na teoria é outro ponto que esse tipo de concurso oferece e que é muito interessante poder mostrar o Piauí.

O trabalho premiado foi sobre uma personagem piauiense, Seu Agenor, e o trabalho que ele realiza nos bairros Risoleta Neves, Real Copagre e Buenos Aires, zona Norte de Teresina. "Simplesmente adorei entrevistá-lo. É incrível a paixão dele pelos ensinamentos de pífano, de teoria música e formação das crianças e adolescentes na música. Fica mais fácil fazer algo que você sente prazer. Acho que esse foi o diferencial do meu trabalho", acrescentou a graduanda.

Entre outros benefícios, os estudantes selecionados terão participação exclusiva no Laboratório On-Line de Jornalismo Cultural em 2010, com bolsa mensal e orientação de um editor de cultura, com o objetivo de realizar uma matéria especial na categoria em que inscreveu a reportagem selecionada, para ser publicada na revista multimídia ":singular". Além disso, os estudantes e as bibliotecas das respectivas faculdades receberão livros sobre jornalismo e cultura.

Edição e Reportagem: Tamires Coelho
tamirescoelho@hotmail.com

Read More »»

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Delegação brasileira vence Olimpíada de Química em Cuba

. quinta-feira, 15 de outubro de 2009
0 impressões

Estudantes brasileiros ganharam o 1º lugar na categoria equipe (somatório de pontos de cada aluno) e trouxeram também o título de 1º lugar geral para o Brasil na Olímpíada Ibero-Americana de Química, em Havana, Cuba. O evento internacional aconteceu entre os dias 03 e 11 de outubro, na Universidade de Havana.

A delegação de cada país é composta por dois professores e quatro estudantes do Ensino Médio. Neste ano, os estudantes do Brasil foram representados por três cearenses e um paulista. Levindo José Garcia Quarto, de Fortaleza, foi o ganhador do 1º lugar geral, com a nota 93,6 (em uma pontuação máxima de 100). Participaram delegações de 13 países.

Além representante da delegação nacional, o professor de química da Universidade Federal do Piauí, Arimatéia Dantas Lopes, também constitui o júri internacional do evento, desde o ano de 1999. O comitê científico da Universidade de Havana foi responsável pela elaboração das provas, neste ano, e, em conjunto com o júri internacional, também avaliou os alunos – que são submetidos a duas provas, uma teórica e outra experimental, com duração de 5 horas cada.

Entenda o processo seletivo

Até chegar às delegações das Olimpíadas Internacionais, os alunos passam por seletivas em suas escolas e, posteriormente, participam das Olimpíadas estaduais. Após essa etapa, os melhores participam da 1ª fase Olimpíada Brasileira de Química, que, mesmo sendo uma disputa nacional, é elaborada e corrigida no Piauí. A 2ª fase nacional é elaborada no Espaço Ciência, em Recife, sendo uma prova experimental aplicada por vídeo. Os 15 melhores classificados vão para a última fase: um curso de duas semanas em uma universidade que ofereça pró-graduação em Química. Em 2008, esta terceira etapa foi realizada na UFPI e, neste ano, a Unicamp (Campinas-SP) recebeu os concorrentes. Neste curso é feita uma nova prova para que a delegação seja selecionada.

Read More »»

Aniversário de 25 anos de Comunicação Social mobiliza alunos e professores

.
0 impressões

Estudantes e professores de Comunicação Social da Universidade Federal do Piauí já estão somando esforços na organização da programação especial para comemorar os 25 anos do curso na instituição. Entre os dias 10 e 13 de novembro, haverá uma série de atividades, inclusive com a participação de convidados especiais.

Cerca de 80 estudantes, estão, em conjunto com os professores do DCS (Departamento de Comunicação Social), trabalhando há algumas semanas nas divisões de tarefas e organização geral do evento que vai marcar o aniversário de 25 anos do curso na UFPI. Existe uma média de cinco a sete estudantes em cada equipe, como a de divulgação, a de premiações, a de certificados e a responsável pelo cerimonial. A equipe responsável pela organização geral é composta por cerca de 30 discentes.

Segundo a professora Muna Cerqueira, uma das responsáveis pela organização do evento, alguns convidados especiais não poderão comparecer, como o professor Alfredo Viseu, do Grupo de Pesquisa Jornalismo e Contemporaneidade (PPGCOM-UFPE), e o professor Marcius Freire (Unicamp). Ela também afirma que alguns membros do corpo docente já estão se mobilizando para suprir essas faltas, como os professores doutores Paulo Fernando e Gustavo Said, que estão acionando convidados que substituam os palestrantes que desmarcaram.

Apesar dos imprevistos, Muna Cerqueira acredita que está tudo correndo bem. "Nós estamos nos esforçando, os professores estão envolvidos e já montaram suas equipes. Já estão confirmadas as presenças do professor e jornalista do Ceará Agostinho Grósson, e do jornalista, professor e documentarista Paulo José Cunha, que tem feito um trabalho de destaque na TV Senado", concluiu.

Read More »»

Alunos de universidades públicas do Piauí destacam-se em seleção do TCE-PI

.
1 impressões

O TCE-PI (Tribunal de Contas do Estado do Piauí) divulgou o resultado da seleção para estagiários na instituição. Entre os aprovados, os alunos da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e a Universidade Estadual do Piauí (UESPI) conquistaram posições de destaque. Foram disponibilizadas vagas para estudantes dos cursos de Ciências Contábeis, Ciências da Computação, Comunicação Social, Direito e Engenharia Civil. O 1º e 3º colocados na área de Ciências Contábeis e o 1º lugar em Ciências da Computação são da UFPI. Vários outros primeiros colocados são alunos da UESPI.

O Tribunal de Contas disponibilizou 11 vagas para alunos de Direito, 2 vagas para estudantes de Ciências Contábeis e 1 vaga para a área de Comunicação Social, todas elas com convocação imediata. Também foram selecionados alunos de Ciências da Computação e Engenharia Civil para o cadastro reserva. O processo seletivo ocorreu sob forma de prova escrita, aplicada no dia 04 de outubro de 2009 no CEUT (Centro de Ensino Unificado de Teresina).

Ao todo, foram 59 aprovados só da Universidade Federal do Piauí, entre eles há os que poderão ocupar os cargos imediatamente, os de cadastro reserva e os remanejáveis – em caso de desistências. Entre os cinco melhores colocados em cada área, pelo menos dois, são alunos da UFPI

Confira os nomes e colocações dos aprovados!

Read More »»

sábado, 10 de outubro de 2009

Desapropriação para obras de ponte gera conflito entre prefeitura de Teresina e moradores

. sábado, 10 de outubro de 2009
0 impressões



A ponte do Sesquicentenário exige, para a continuidade e posterior conclusão de suas obras, a desapropriação de 95 terrenos – o que tem gerado polêmica e dor de cabeça para muitas famílias e para a prefeitura de Teresina. Situações como essa mostram até que ponto o progresso interfere na vida da população, especialmente, quando ela é de baixa renda. O Jornalight traz para você as visões de cada lado envolvido e uma contextualização da situação na qual encontra-se a obra do que será o mais novo cartão postal piauiense.

Apesar de ter aproximadamente 60% de sua estrutura pronta, ainda há muito a ser feito para que a ponte do Sesquicentenário seja concluída e possa ser usufruída pela população teresinense. Também denominada ponte João Isidoro França, a obra necessita da desapropriação de casas nas zonas Norte e Leste da capital piauiense, que serão por ela interligadas. O problema é que muitas famílias estão insatisfeitas com as medidas de desapropriação, assim como a prefeitura quer maior colaboração por parte dos moradores. No fim das contas, cada um tem sua argumentação e suas razões, só não entram em consenso.

Entre as famílias sujeitas ao processo de desapropriação, há aquelas que aceitam e se conformam, há as que oferecem resistência e há também algumas que recusam-se a falar sobre o assunto com a imprensa. Todos os entrevistados recusaram-se a ser fotografados pela equipe do Jornalight, alguns com medo de represália. Os bairros desapropriados serão Fátima, zona Leste, e Morro da Esperança, na zona Norte.



HÁ POPULARES INSATISFEITOS E OUTROS, RESISTENTES

Alguns moradores, na zona Norte, se dizem desesperados por vários motivos. Segundo Daiana Oliveira de Aguiar, a desvalorização das casas é muito grande e o dinheiro que a prefeitura oferece não dá para comprar nenhum imóvel nas proximidades do bairro. “As casas por aqui, não têm casa do valor. Por exemplo, ali na casa da minha mãe, deram 31mil. Aqui pra cá, só tem casa de 40 e 50 mil e eles deram poucos dias, eles deram menos de dois meses após o pagamento. Tá todo mundo insatisfeito aqui... e eles falam que se não sair até dezembro, eles passam por cima mesmo! Eles não tão nem aí não... não vão deixar de fazer uma obra grande por causa de minoria... e eles não entram em acordo de jeito nenhum, nem aumenta, nem nada”. Ela ainda acrescentou, indignada: “O terreno que querem dar pra gente não é aqui perto, é longe, muito longe! É na Pedra Mole, na Santa Maria da Codipi... E quem tem menino que ta estudando? E quem trabalha por aqui? É complicado!”.

A insatisfação por parte de Daiana Oliveira é incontestável: “Todos estão descontentes. Ninguém quer sair daqui! Tem gente que mora aqui há 40 anos”, explica. Primeiro serão derrubadas as casas do quarteirão mais próximo à alça da ponte. Depois, será desapropriado o restante da área, por etapas. Mas, mesmo sendo algo gradativo, o processo de desapropriação está apressado, devido ao prazo de conclusão da ponte. “Eles tão botando pressão”, disse Daiana.

A prefeitura fez a proposta de acordo com o senhor Antônio Soares da Silva, pedreiro que mora ali há 25 anos, mas ele ainda não confirmou, porque não está feliz com a proposta. Ele explicou que não é que ele ache que o terreno valha mais, mas é uma questão do valor agregado ao imóvel, pelas facilidades de sua localização: “Não é que valia mais, é porque a gente não vai achar outro lugar nesse preço que eles tão dando. A gente vai ficar quase sem dinheiro e no meio da rua! O terreno não vale, mas o negócio é que eles vão me tirar daqui, aí com o dinheiro que vão me dar não dá pra achar outra casa aqui perto, onde eu moro”. Avaliaram a pequena casa de seu Antônio Soares em 15 mil reais. Lá, moram cinco pessoas.


O pedreiro preferia que dessem outra casa na redondeza ou que aumentassem o valor do dinheiro: “Tem que sair daqui pra ir pra longe...Se eu for pra Santa Maria da Codipi, fica ruim! Eles não pediram antes, e agora, tão com pressa. Depois que eles pagam, a pessoa só tem 45 dias pra se virar. Se não sair até dezembro, eles passam por cima!”, disse Antônio da Silva.


“Dinheiro é melhor pra eles pagarem a gente, porque a gente compra a casa do jeito que a gente quer e aonde a gente quer, mas a gente vai procurar casa, aí é outro preço... aí eles falam pra procurar em outro lugar mais barato [...] A prefeitura não paga aluguel pra gente. Eles dizem que pagam, mas eles não pagam. Sai do nosso bolso!”, denunciou Lúcia Maria Oliveira, esposa de seu Antônio Soares.

Ainda segundo Lúcia Maria, haverá uma quebra entre os laços afetivos constituídos entre os vizinhos, que terão que morar distantes uns dos outros. Para ela, assim como para muitos outros moradores, é mais importante ficar em sua casa do que ver a ponte concluída. Lúcia explicou que ali, na região onde mora, no Morro da Esperança, três casas já estão desocupadas desde o avanço das obras da ponte, há cerca de quatro anos.

Os moradores do bairro Morro da Esperança reclamam que não acham casa por ali para comprar com o dinheiro que a prefeitura oferece, e que estariam avaliando por baixo. Mas nem tudo é reclamação, pois, apesar de as obras não pararem, nem mesmo à noite, não há barulho e poeira a ponto de incomodar os moradores das proximidades. Esse é um fator que pode ser constatado com todos os outros moradores, conformados ou não com a saída de suas casas.



















UM DEPOIMENTO DESESPERADO

Confira um desabafo da moradora Daiana Aguiar: “A gente vai sair da nossa casa pra ir pra um lugar ruim? A minha mãe mesmo chora dia e noite, não dorme de noite pensando... Com medo de ir pra outro lugar e não se adaptar. A minha mãe, Ave Maria, é um desespero: não dorme de noite, não sabe mais nem o que faz!

Aqui tem muita gente idoso, pelos tempos... tem o médico deles que é aqui perto, tem o mercado do Mafuá perto. Meu pai quer morar aqui perto, porque meu tio mora do outro lado da rua e ele não quer morar longe, mas ele não acha. Casa que ele acha sai de 40...50 (mil reais), e ele vai falar pro homem, o homem diz que não, que ele vá procurar outro lugar, que não pode aumentar! (O homem a quem ela se refere é o secretário de Planejamento de Teresina, Augusto Basílio) Ele dá pressão pra gente procurar outro (lugar), pra gente sair logo! Ele não aumenta, não entra em acordo com a gente e bota pressão direto pra gente sair. E a gente quer sair e aproveitar alguma coisa da casa, e a gente fica nessa coisa: não sabe se vai ou se fica...

Minha mãe achou uma casa ali, mas a casa já tava toda derrubada, toda cheia de rachadura, teria que reformar de novo, teria que gastar muito mais. Aí, ele disse que ia dar o material e o dinheiro. Mas minhas mãe não aceitou não, vai ter que gastar o dinheiro da casa já, pra pagar aluguel!


Tem tanta ponte já... vai facilitar pro trânsito, pra eles, mas a gente vai ficar no prejuízo, pés gente vai ser ruim... melhora pros grandes, piora pros menores, né?! Além da nossa casa valer pouco, vai morar longe e ficar no prejuízo. Eles não! Vão ter tudo, ao redor aqui vai ficar muito valorizado”. Tem muita gente que não quer vender por saber da valorização do terreno com a construção da ponte e porque acham que a prefeitura quer pagar muito pouco diante do que aquilo vai valer.

A gente não fechou acordo ainda por causa disso, porque a gente não achou casa ainda nesse valor e está querendo pelo menos aumentar o valor mais. Quem que acha casa de 15 mil aqui? Todo lugar que você for, vai encontrar reclamação!”.


SUPOSTAS AMEAÇAS TERIAM SIDO FEITAS
Daiana Oliveira também mencionou supostas ameaças que teriam sido feitas por pessoas da prefeitura, na tentativa de forçar aquelas pessoas a deixarem suas residências sem resistência. “Ele (Augusto Basílio) disse que não queria imprensa nisso, mas é o seguinte: se a gente não falar, ficar de boca fechada, a gente vai ser prejudicado! Ele disse que era bom a gente não chamar a imprensa, não fazer confusão porque vai ser pior pra gente, porque a gente ia acabar longe, a prefeitura ia dar a casa e não ia dar o dinheiro. Era pra não fazer tumulto, não fazer abaixo assinado, essas coisas, porque ia prejudicar mais a gente, porque ia ser pior”. Ela explicou que muita gente vendeu as casas por ameaças, muita gente ficou com medo, “porque se mandar pra Justiça a gente perde tudo e fica pior, a gente fica sem eira nem beira!”.

A esposa de Antônio Soares, Lúcia Maria Oliveira, informou que muitas pessoas entraram em acordo com a prefeitura por conta das ameaças. Alguns estariam conformados, outros estariam com medo e outros ainda, preocupados em perder o que a prefeitura estava oferecendo nas casas, baixando ainda mais o preço da oferta inicial.

NEM TODOS RECLAMAM, HÁ TAMBÉM OS SATISFEITOS

Ana Cláudia Ferreira, moradora mais recente do Morro da Esperança – está lá há apenas alguns meses – é uma das satisfeitas com a proposta da prefeitura. A humilde casa de taipa na qual mora era de sua mãe, já falecida. A prefeitura está oferecendo R$ 7.500 em sua casa e Ana Cláudia diz ter consciência de que o imóvel no qual habita não vale muito, por ser de “pau-a-pique”. Além de arranjar outro lugar para morar, ela vai ter que morar de aluguel, porque o dinheiro da venda da casa será dividido entre os irmãos.

“Tem gente aqui que ta contente, tem outros que não ta (sic)”, afirma. De acordo com Ana Cláudia, alguns vizinhos há casas avaliadas em até R$ 70 mil naquela região, há também casas que ficarão apenas sem alguns compartimentos, e a prefeitura está buscando acordo com todos. Para ela, é melhor receber o dinheiro em vez de casas, mas há resistência na vizinhança por conta do valor que querem pagar.

“Realmente ela (a ponte) vai melhorar muito”, admite Ana Cláudia Ferreira, que defende o secretário municipal de Planejamento, Augusto Basílio, porque, na sua opinião, ele tentou fazer um acordo pacífico, atendendo bem todas as pessoas e negociando.

Ana já fechou negócio com a prefeitura que, inicialmente iria pagar R$ 6.400 pela casa, mas aumentou o valor posteriormente. A casa foi colocada no nome dela, mas garante que a mãe dela, antes de morrer, já havia entregue a papelada à prefeitura, na fase inicial da obra.

A VERSÃO “OFICIAL” DA SITUAÇÃO

Quando conversamos com alguém envolvido com o processo de construção da ponte, inicialmente, o discurso mais ouvido é: “Não há nenhum tipo de resistência!”. Mas todos sabem que, em uma obra da magnitude da Ponte Sesquicentenário, que envolve tantos processos de desapropriação, seria impossível não haver qualquer tipo de resistência. Talvez a quantidade de resistentes não seja maior porque, segundo o superintendente da SDUCN (Superintendência de Desenvolvimento Urbano da região Centro-Norte), Marco Antonio Ayres, nem todas as famílias serão afastadas da área: “Metade sai e a outra metade fica, porque vai só remanejar para trás”.

Em ocasião da visita do governador Wellington Dias e do prefeito Sílvio Mendes, entre outras autoridades, às obras da ponte, o superintendente disse: “Aquilo que depende dos outros, como desapropriação, às vezes, vai ter alguém que queira discutir preço, pode dar uma atrasada... Não aconteceu ainda. Um questionamento radical de preço, por exemplo, a prefeitura oferecer 10 e o cara pedir 1.000, não existe isso! As contas são muito perto uma da outra,em problema. O povo entende, tanto o povo da cidade como os moradores que vão ter seus imóveis atingidos pelo aterro da ponte, eles entendem o seguinte: o interesse público é uma coisa que ta acima de qualquer interesse. A ponte é uma obra necessária, é um clamor da cidade... todo mundo reclama... do mais humilde ao mais abastado. Então, a gente entende que o lado psicológico, na hora da conversação, pesa muito, que é esse aspecto da ponte estar sendo praticamente concluída e vai ter que passar carro por cima!”.

A situação perceptível, porém, constitui uma realidade muito distante do discurso do superintendente. Para muitas famílias que serão desapropriadas, é muito melhor continuar no seu cantinho, sem construção de ponte ou qualquer outra obra para o “desenvolvimento” de Teresina. E as contradições não param por aí: a versão oficial da prefeitura também consiste no pagamento de eventuais aluguéis, fato que já mostramos ser negado por moradores. “Do lado de lá (zona Norte), que é o pessoal mais modesto, eles têm dificuldades. Às vezes, a casa é alugada e a prefeitura dá uma solução de casa pra ele ou paga aluguel enquanto ele recebe a casa do programa do governo federal ‘Minha Casa Minha Vida’, afirma Marco Antonio, que não considera em suas explanações a vontade ou não daquele grupo de pessoas de se deslocar para bairros distantes – onde estão sendo construídas as habitações do programa federal. Os gastos em desapropriação estão orçados em nada menos que R$ 5,5 bilhões.

“A obra tem que ser avançada, tem que ser concluída pra que a gente faça os acessos. Próximo à avenida Raul Lopes, nós já temos zonas liberadas. Nós temos, aproximadamente, no tronco da avenida, no eixo da ponte, 150 metros de pista livre já e temos 200 metros de alça pra fazer terraplanagem”, conclui o superintendente da SDUCN.

AS “RAZÕES” DA PREFEITURA

Nenhuma história é feita por apenas um dos lados e a prefeitura tem suas razões plausíveis para não ceder às propostas de pagamento que os resistentes querem. Quando entrevistamos o secretário de Planejamento da prefeitura de Teresina, Augusto Basílio, ele falou, que “a princípio, não está tendo resistência, as pessoas estão conscientes da importância da ponte” porque a credibilidade do prefeito Sílvio Mendes estaria ajudando no processo de desapropriação. Quando mencionamos casos isolados, porém, ele passou a explicar o que de fato está acontecendo, sob sua visão de gestor, obviamente.

“Tem casa lá que é uma choupana! Como é que eu vou avaliar uma casa por 11 mil e o cara quer 50? Como é que eu vou justificar para o Tribunal de Contas uma casa que vale 11 e eu pagar 50 mil? Então, o que é que eu to fazendo: nós estamos oferecendo o conjunto habitacional Leonel Brizola, lá no Monte Verde, perto da Santa Maria da Codipi. Eu sei que não tão querendo... mas nós estamos dando opção! Nós estamos oferecendo pra eles irem morar lá”, justificou-se.

Até o discurso inicial começou a mudar de figura, e os insatisfeitos foram mencionados: “Descontentes tem, mas o que é que eu to oferecendo: são casas pequenas e eu ofereço que ele, com o dinheiro, compre o terreno que eu dou o material pra fazer uma casa. Eu pago seis meses de aluguel. Quem tiver que sair, que pago seis meses de aluguel enquanto faz a casa, permito que ele tire o que ele puder de material, de tal forma que a gente não ta simplesmente tirando o cara e botando pra fora não!”.

VARIAÇÕES EM RELAÇÃO À VALORIZAÇÃO DOS TERRENOS

Ao questionarmos as diferenças bruscas quanto à valorização dos imóveis, a explicação que o Augusto Basílio deu baseia-se no fato de os terrenos da zona Leste terem dimensão maior que os da Norte, além de terem documentação. O secretário, inclusive, admitiu que “o maior volume de recursos que a gente vai gastar vai ser na zona Leste”. Basílio ainda acrescentou: “A maioria aqui (na zona Norte) não tem documentação. Eu pago só o que tem construído. Não vou é pegar uma casa avaliada por 11 e o cara quer 30 mil, 40 mil... existe um laudo de avaliação que eu tenho que me basear nele! Eu liguei pro avaliador e ele me deu a margem que eu posso trabalhar”.

A PARTE BUROCRÁTICA

Tem muitos processos resolvidos, segundo Augusto Basílio. O secretário já entrou em contato com os dois cartórios, de ambas as zonas, pra resolver as situações de desapropriação. O pagamento das despesas do cartório não é feito individualmente, mas sob forma de créditos. Basílio ainda explicou que é preciso uma certidão negativa de ônus, para levantar uma relação de quem tem dívidas na Caixa Econômica. As certidões informam isso e o levantamento já começou a ser feito.

PRAZO DE ENTREGA DA OBRA FOI ADIADO MAIS UMA VEZ

“A previsão de término da ponte não é mais no final do ano. Nós estamos trabalhando pra fechar até a rua Alex Diniz, porque da Alex Diniz pra frente, quase não tem problema. Nós estamos fechando da Marechal Castelo Branco até a rua Alex Diniz”, admitiu Augusto Basílio. O secretário preferiu sequer arriscar uma nova data de entrega, mas acredita que, até o final do ano, as desapropriações necessárias sejam feitas e a ponte seja concluída até fevereiro de 2010.

MAIS DETALHES SOBRE A DESAPROPRIAÇÃO

Ao todo, há 26 terrenos a serem desapropriados na zona Leste e 69 na zona Norte, e, entre essas 95, há as que estão em processo de tramitação, os locais já desapropriados, pessoas que têm problemas em cartório com os terrenos, e até mesmo um terreno do 25º BC está incluso na área. Dos 26 no bairro Fátima, zona Leste, o secretário de Planejamento Augusto Basílio afirma já ter conversado com 18, durante esse processo de negociações individuais. Ângela Alves é a engenheira que acompanha os processos e Augusto Basílio faz negociações em nome do prefeito Sílvio Mendes. As marcações já foram feitas nos primeiros terrenos a serem desapropriados.

Reportagem e fotos: Tamires Coelho
tamirescoelho@hotmail.com

Read More »»